segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Artigo 21:


O início do vídeo exibido faz-me lembrar os anos sessenta do século passado. No interior vivia-se da agricultura e essa vida era conturbada. Trabalhava-se de sol a sol e mesmo assim os agricultores não ganhavam para o sustento da sua família. 
Recordo um agricultor vizinho de meus pais e as dificuldades porque passava. Quantas vezes para ali fui ajudar a puxar o gado. Ainda me revejo à frente da junta de bois e a chamar por eles. Vamos lindos! O senhor Armando, que era o agricultor, agarrado ao arado também manifestava alguns berros a incentivar os animais para que o arado irrompesse a terra dura.
Quando chegava a hora da merenda gostava de comer aquela broa e uns pedaços de carne gorda de porco. Sabia bem e era um dos motivos porque para ali ia constantemente. O senhor Armando tinha contraído matrimónio com a Lurdinhas, era assim que a tratávamos, não eram de Freamunde, vieram para caseiros da senhora da Bouça. Era assim conhecida a viúva do senhor António da “Luzia”.
Enquanto não tiveram filhos era eu que os ajudava depois da vinda da escola e de ter feito os deveres escolares que o professor Valente, depois a professora Adelina, me ministrava para fazer em casa.
Os tempos foram mudando e passados uns anos com a vinda do tractor estas actividades morreram. Os bois passaram a ser criados para a venda a talhantes. Os campos deixaram de ter aquele cheiro típico do estrume. Os filhos dos agricultores passaram a ir para operários das fábricas de móveis. Os analfabetos começaram a ser em menor número. Os filhos dos agricultores e operários começaram a frequentar os liceus e universidades e a revindicar outro estatuto.
O governo de então não estava preparado para ocorrer a estas situações. O assalto ao paquete Santa Maria, a invasão da India e a insurreição em Angola levou a que não houvesse ordem no País. As forças de segurança, incluindo o exército, só sabiam resolver os problemas à base da força. A PIDE e os bufos ligados a ela não tinham mãos a medir na aprendizagem de quem fosse contrário ao regime de Salazar.
Até que veio o vinte e cinco de Abril. Se a vida já estava a sorrir para os mais desprotegidos ainda começou a sorrir mais. Com as medidas alcançadas pelos sindicatos o operariado começou a ter outro nível de compra e de vida.
Esta reviravolta levou alguns empresários a manifestarem-se contra elas. Começaram os movimentos como o Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP) associado ao CDS e alguns militantes do PPD a fazer a contra revolução com atentados à bomba. 
Quem não se lembra do Batateiro de S. Martinho do Campo, no concelho de S. Tirso, do Ângelo de Trancoso, de Kaúlza de Arriaga e tantos outros! Do assassinato à bomba do Padre Max e sua acompanhante.
Com estes contratempos a democracia resistiu até ao ano de dois mil e onze. Com a contra revolução praticada por todos os partidos políticos da oposição deu-se a ida ao pote. Venceu um partido liderado por um mentiroso que nos levou à situação que vivemos hoje. Por isso ser mais que necessário a aplicação do artigo vinte e um.   

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